Memórias Binárias – Nota #1
Meu primeiro contato com computadores foi por volta de 1993/94, jogando Duke Nukem na casa de um primo, em Cruzeiro. E, cara, era muito bom. Aquilo me fascinava. E não estou falando do jogo, não, mas da máquina, do sistema, das possibilidades.

Apesar de ainda estar cego, com meus olhos infantis, para todas aquelas possibilidades, eu via possibilidades do mesmo jeito. Como a de “desenhar no computador”, ouvir música ou simplesmente ouvir a máquina ligar.
O barulho mecânico do Windows ao inicializar era incrível. Tudo se encaixando, se conectando e, no final, na tela preta do terminal, digitar apenas:
WIN
Era isso. O Windows podia ser iniciado.
E os jogos ilimitados? Aí sim, estou falando de jogo. Era Campo Minado e um de cartas que nunca aprendi a jogar. Mas era muito bom.
Meu primeiro contato com a internet foi em meados de 1995, sentado ao lado do meu tio Dirceu, o nerd mais velho que conheço e que hoje está descansando no paraíso, na fibra ótica de Deus.

Ele acessava o que chamava de BBS e, em outro PC, estava no IRC. Não lembro qual BBS era, mas o IRC, salvo engano, era EFNet.

E as telas de arte ASCII e tudo mais eram hipnotizantes. Eu amava. Era lindo. E eu queria ver mais.
Em 1996, ganhei meu primeiro PC, com seu absoluto poder e um modem destemido da USRobotics. Minha conexão com AIM era incrível nos meus 9 kbps. Incrivelmente instalada pelo meu amigo Dionísio, que também me colocou, pela primeira vez, no ICQ e no meu IRC.
E olha que doido: eu tinha um nick.
O nick era a identidade, era como éramos conhecidos no mundo virtual. O meu era Wagon, que significava “vagão”. Eu tinha visto aquilo em um adesivo num caderno. Não sabia o que significava, mas, quando Dionísio me perguntou qual nick eu queria, foi a primeira coisa que vi na minha frente.
Dois dias para conseguir baixar uma música. Isso se tivesse sorte e tentasse depois da meia-noite, nos feriados.
Então, eu queria saber mais.
Depois de muita briga com minha mãe, comprei um livro de Delphi na Avalon, uma antiga livraria da minha cidade. E, teoricamente, eu, como criança, não deveria saber nada daquilo.
Mas aprendi.
Criei meu primeiro software em Delphi, e ele fazia o que havia de mais legal para uma criança: era um botãozinho que, ao clicar, mudava o programa inteiro de cor.
Didático. Livro bem didático.
Continua.