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Não coleto pedras, eu destruo castelos

A posição de CEO cobra decisões amargas que quase ninguém vê. Entre afastamentos, crises, estresse e perdas silenciosas, reconheço o peso que escolhi carregar — mesmo quando invejo a leveza de quem vive em paz.
Figura solitária caminhando, em pixel art preta e branca, representando afastamento emocional

Recentemente, saí de vários grupos do mundo tech dos quais eu fazia parte. No convívio social, eu já havia feito isso há algum tempo. É uma forma de me poupar do peso das emoções e de evitar que aquilo que os outros sentem acabe me contaminando.

Esse afastamento também nasce de algumas posições difíceis que preciso tomar no dia a dia. Para fazer a empresa avançar e conter crises, preciso tomar decisões que nem sempre gostaria de tomar. Falo, especificamente, da posição de CEO.

A maioria das pessoas enxerga apenas o que conquistamos. Poucas veem os caminhos que percorremos e as decisões amargas que tomamos todos os dias, algumas das quais continuam nos assombrando. Também não veem a saúde que perdemos, o estresse e o desgaste acumulado.

Ouvi certa vez uma frase que dizia algo assim:

“Deus não dá uma cruz maior do que você pode carregar.”

Quando penso nela, lembro que há pessoas que parecem atravessar a vida com tanta leveza e problemas tão pequenos que talvez não suportassem cruz alguma. Isso não é problema meu. Ainda assim, não consigo deixar de pensar na paz em que vivem, e confesso que sinto um pouco de inveja.

Mas é a vida. Eu pedi por isso. Eu faço isso.